Eu estava buscando inspiração, então digitei "eu", em busca dos rumos para escrever uma coisa agradável. Eu não é uma palavra boa para começar um texto, eu é tão complexo, e tão cheio de formas, eu não é um bom início, à não ser para aprender a conjugar verbos.
Todos passam a vida buscando os seus eus e morrem sem te-los encontrado, porque o eu, acima de tudo é uma variável. Eu busco o meu eu.
Buscar o seu eu é muito mais profundo do que buscar simplesmente quem se é. Isso te dão num pedaço de papel, assim que você nasce. Enquanto isso, os eus vagam dentro das nossas mentes como bombas relógio de fúria e de amor. São profundos, densos, intensos, são o deus de cada eu próprio.
Por vezes, penso que nossos eus são nossos piores inimigos, eles nos afrontam todo o tempo, para que nossa mente se abra e nossos olhos o vejam. Eles são sutis e muito espertos, eles sabem a hora para ficar e a hora de partir. Outras vezes, vejo nossos eus como crianças acuadas, com medo do nós. O nós é grande, o eles é enorme, o vocês é inexoravelmente maior. Nosso eu então fica ali, ele fica fazendo continhas de tricô, e soltando seus fiapos de insegurança.
Os eus são magníficos, porém fugazes, e deixam a vida mais poética. Eles tem uma complexa magnitude que os faz saber quando são queridos, e quando tem que deixar tudo vazio. São principalmente preguiçosos, esses eus, os eus gostam mesmo é que o vocês deêm conta do seu corpo, que o eles parasite na sua mente, para que você possa deitar no sofá no próximo domingo e assistir seu programa preferido de televisão sem dor na consciência.
Se durante toda nossa vida, fôssemos regidos apenas pelos nossos eus a vida não seria tão peculiar e detalhada, acredito que as batalhas que o eu trava com os outros sujeitos são importantíssimas para que a vida tenha sua euforia.
Mostrem seus eus, não os defendam, pois esses são trairas e logo mudarão de lado, mas deixe-os vir a tona para que sintam a energia que o eu tem ao encontrar-se com o você, com o nós, com o eles e o elas.
Eu não é vazio.
Meu eu gosta de paredes geladas, meu eu gosta de céu cor de rosa, e de tomar frozen capuccino. O meu eu é estranho, aparece de vez enquando, prefere me deixar dormindo, mais do que qualquer outra coisa. Ele talvez seja tímido demais para que o vejam com frequencia, ele gosta que meu corpo fique ao comando do nós e minha mente do vocês. Meu eu sofre com excesso de amor, mas não gosta de mostrar as lágrimas, prefere que o eles deixem-as escorrer pelo rosto.
Meu eu é nanoscópico e incomensurável. A mais gelada das estações quentes, e a mais quente das estações geladas. Meu eu é o X da equação, é a incógnita que eu morrerei sem achar o valor.
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