Desse jeito que ninguém gosta, daquele jeito que ninguém aguenta ouvir por menos de duas taças de vinho eu estava sendo, e sendo feliz do meu mau modo de ser. Meio acanhada de desamor, de amor terminado que ainda dói, eu estava sendo quem eu não era só pra esquecer quem eu tinha sido. Eu já estava bem e acostumada com a falta dessa coisa que todas as pessoas sentem por ter em quem acomodar o seu amor, eu estava feliz, mesmo que incomodasse, eu estava ali só esperando pelo próximo dia na mesma esperança de que nada acontecesse. Tudo bem, tudo bem.
No meu canto acuado e na minha tristeza mascarada eu estava escrevendo qualquer coisa sobre o movimento das ondas do mar, quando você entrou. Eu talvez não contasse com aquilo, mas eu sabia que era o seu cheiro. De alguma forma era todo o conforto que eu precisava, eu encontrei os meus trilhos endireitados na maneira como você me sorriu da primeira vez, e dia após dia eu tomava dentro de mim a certeza de que os seus olhos me guiariam para o meu recanto seguro, onde eu pudesse cantar sobre as coisas que eu ainda não estava apta a colocar em melodia.
Você tinha o que de mistério no seu jeito brincalhão, e tinha o sorriso mesmo quando se silenciava. Você era a mistura dos sentidos, e era a chave para o meu riso. E eu pensando em eternidade, me fiz segura ao seu lado, mesmo que você não me sentisse ali, eu estava intimamente ligada à sua alma, porque eu te quis bem desde o primeiro instante.
Eu gostava de estar sorrindo contigo, mesmo sem você, eu estava bem somente por pensar que você existia e eu veria o seu sorriso na próxima manhã. Doce ilusão de um coração que está carente de amor. A crueldade do destino as vezes é pior do que esperamos, e mais enfática do que deveria ser.
Quando meus olhos se despiram do encanto dos primeiros dias eu enxerguei monstros que me amedrontaram e me fizeram recuar. Estavam ali parados na minha frente, esperando uma movimentação para me devorarem loucos de fome, o monstro do ciúmes, o monstro da insegurança, o monstro da rejeição. Todos eles com sua cota de ferocidade, cada um com sua subjetividade intensa, todos me visando como objetivo da caçada.
O medo que cada um exercia sobre mim era tão intenso que despertava os meus próprios monstros interiores, que ainda eram fracos perante à eles, monstros cruéis e incertos. Eu então me vi sozinha novamente, tentando tocar no que não era meu e fazer meu o que não podia. Consequentemente, eu constatei nos meus pensamentos que eterna seria a saudade do que não tive, e que meu refúgio eram meus próprios sonhos não concretizados. Eu sei do que eu sinto, mas dá não, então deixa assim.
Adorável, como sempre!
ResponderExcluirObrigada minha linda. Obrigada por nunca deixar de ler meus devaneios pouco fundados, obrigada por me incentivar.
ResponderExcluir"eu estava intimamente ligada à sua alma, porque eu te quis bem desde o primeiro instante."
ResponderExcluirLindo demais! Você escreve muito bem, obrigada por esta leitura (:
Só quem tem a agradecer sou eu! Muito obrigada por seguir e acompanhar o blog, linda (:
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