domingo, 10 de abril de 2011

Indo.

Estou passando pela vida, estou vendo como as pessoas sorriem, estou sentindo como as crianças choram. Estou passando sem destino, sem parada, apenas indo de encontro ao nada e ao tudo, àquilo que eu quero como se não soubesse o que.
Estou chorando, como se não fosse capaz de fazer todas as paradas que devo, estou sofrendo com cada tropeço, estou demorando demais para aprender a andar. Eu observo, e caio.
Como criança que aprende, eu engatinho, e paro. Eu estou passando, e mais vendo do que vivendo, e mais sentindo do que fazendo, e mais planejando do que colocando em prática, e assim eu passo, despercebida para tantos, passando, sentindo, chorando. Eu vou.
Estou colocando meu sorriso mais bonito para o passeio no dia chuvoso, estou com meu vestido mais sorridente para o velório, estou sorrindo e andando, estou enxergando sem olhar.
Com os corpos falsos, e os olhares fingidos, dissimulo-me perante as faces e choro sem perceber. Eu durmo no meu eu, e passo pela vida como quem não quer passar, quem fica e não faz, que está indo sem querer, quem está parada só perdendo, quem busca e não espera. Eu passo.
Estou lutando contra os ventos no meu vestido de rosas, porque não me toco e nem me sinto, mas me seguro sem ver, porque estou em busca do caminho, mas não enxergo com essas folhas, e nem com a chuva torrencial, não enxergo nem mesmo com o sol, eu não posso me ver, nem me sentir, eu só me seguro, e me acomodo, e vou.
Estou desapropriando-me da minha voz e do meu corpo, estou ficando com as minhas vestes e com a lua no céu, estou em meio ao nada, perdida, passando, andando, parada, tentando. Estou correndo sem movimento estou frustrada de alegria e chorosa de amor, estou indo, sem saber, sem querer, sem poder. Estou indo.

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