Sentei por um tempo
Pedi as contas para a vida
Não acho mais alento
Encerrei as minhas dívidas
Estive procurando um bom par
Para depositar os meus anseios
Mas sou um repelente de pessoas
Elas se mantém onde não as vejo
Quis conversar por horas
Sobre os devaneios da vida
Dividir minhas pequenas histórias
E uma garrafa qualquer de bebida
Mas não houve reciprocidade
Procurei até me cansar
Vasculhei por todas as partes
Coube a mim o sinistro calar
E viajei procurando quem fosse
Um ninguém coisa alguma
Para falar apenas dos seus cantos
Sobre as minucias mais profundas
Nunca quis saber do vencer louco
Da competição amarga do viver
Quis encontrar quem quisesse pouco
Deitar no meu ombro e adormecer
De todas minhas doces quimeras
Essa se manteve a mais pura
E esperei uma alma, aquela
Que encontrasse em mim abertura
Por vezes a espera
Deparou-se com bobagens
Acreditou em sua inocência
Que era uma pura verdade
E desistindo aos poucos
Tudo me pareceu novo
Afastei o anseio pelo grandioso
E no nada montei meu riso
Contrastada nos meus enigmas
Vou seguindo, sem parada
Sem certezas, descabida
No meu modo torto, desajustada
Desistindo de ser alguém
Resolvi que nada sou nessa vida
Viverei sob os olhos de desdém
Sem saber lidar com as minhas feridas
De subir nessa tal de vida
Nunca soube o caminho
Prefiro então minha calmaria
Meu filosofar quieto e sozinho
E assim prefiro esses dias
De desistência e falta de direção
Que me sejam raras as alegrias
Mas minha mente de às palavras vazão
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Críticas são sempre bem vindas. :D