segunda-feira, 7 de maio de 2012

Desespero.

E eu andava pelas ruas
Meio solitária e deprimida
Já conhecida pelos bares
Achava alento na bebida

E o cheiro dos últimos tragos
Remanescia ao meu redor
Eu não aguentava a angústia
De estar, pela mente, quase morta

Encontrei ele de longe
Em minha falta de beleza
O que exibo para os olhos
Não agrada quem me enxerga

O quis da mesma forma
Com minhas limitações de mulher
Quis mostrar-lhe minhas outras formas
Que não foram feitas para um qualquer

Não tive pudor em adentrar sua mente
Utilizei todos os artifícios verbais
Para trazê-lo perto, em meu peito
E deitar-me com ele numas noites a mais

E as palavras trocadas
Em semelhança quase utópica
Me prenderam a ele, intocada
Esperando, para o meu amor, um sinal

Habitei, calada, a vontade no meu corpo
Enquanto com ele as palavras
Faziam nosso riso, nosso jogo
Mas ardia em mim o querer
De ser por ele desejada

E de tão semelhantes, jamais atingimo-nos
De tão recorrente a empatia, a alegria se foi
De tantas palavras para dizer, nos calamos
De absurdo do meu querer, o amor quase morreu

Ardia, e ainda arde o aguardo
De que ele veja em mim a beleza
Que da sua vivência ele descarregue o fardo
De também ter sido fadado a tantas tristezas

Me abate a certeza de que sou uma solitária
O saber que de tanto amor
Ao final serei vencida na batalha travada
Dentro de mim, da minha mente vasta

Enquanto houver em mim o desejo
De poder ter esse amor para nele depositar
Imaginarei inúmeras vezes o beijo
Que na carência do corpo irei lhe dar

E se não concluirmos meus devaneios
Guardarei no meu peito a felicidade
De você ser sido meu anseio
De ter me entregado, por uma vez, de verdade

E voltarei aos meus caminhos
Tortuosos e tão vazios
Nesse meu destino sozinho
Na a realidade de não me encontrar
De precisar de alguns copos de vinho
Para dentro da minha mente poder morar

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Críticas são sempre bem vindas. :D