Fora de ritmo
Estavam todos dançando
Permeando a chuva
A noite se deteriorando
As vozes eram altas
Desconstruíam o meu redor
Nesse concreto de almas
Meus sapatos dançavam sós
Ninguém se achegou
Eu permanecia ínfima
A chuva aumentava
Sozinha eu permanecia
E na solidão da falta
Vi entre eles o beijo
No precipício em que entrava
Não achava outro jeito
Permaneci calada
Segurei o que quis escapar
Engoli amargo o grito, o choro
Enxerguei, novamente, meu desmoronar
E quieta me pus pra fora
Enquanto a cabeça ecoava
"Women listen to your mothers"
Minha mente triste cantarolava
E eu fui alertada
Pela voz de dentro de mim
Pelas vozes externizadas
Dizendo "não se exponha assim"
E tomada pela revolta
Da minha própria falta de eixo
A chuva caia no meu corpo
Fui vítima desse sujeito
O sujeito sem cara
Que se veste de palhaço
Mostra-se puro e doce
Antes de fazer o seu estrago
Parei sob uma marquise
Dei um trago na angústia
Lembrei das madrugadas
Em que me apaixonei por aquela figura
E quis ser a menina
Quis ser segurada
Dei vazão a essa sina
Que me deixa, agora, amargurada
Não quero mais as bases
Onde se fortaleceu esse monstro louco
Viver sem sobriedade
Deixando meu peito sempre oco
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Críticas são sempre bem vindas. :D