segunda-feira, 14 de maio de 2012

Erro de interpretação.

Fora de ritmo
Estavam todos dançando
Permeando a chuva
A noite se deteriorando

As vozes eram altas
Desconstruíam o meu redor
Nesse concreto de almas
Meus sapatos dançavam sós

Ninguém se achegou
Eu permanecia ínfima
A chuva aumentava
Sozinha eu permanecia

E na solidão da falta
Vi entre eles o beijo
No precipício em que entrava
Não achava outro jeito

Permaneci calada
Segurei o que quis escapar
Engoli amargo o grito, o choro
Enxerguei, novamente, meu desmoronar

E quieta me pus pra fora
Enquanto a cabeça ecoava
"Women listen to your mothers"
Minha mente triste cantarolava

E eu fui alertada
Pela voz de dentro de mim
Pelas vozes externizadas
Dizendo "não se exponha assim"

E tomada pela revolta
Da minha própria falta de eixo
A chuva caia no meu corpo
Fui vítima desse sujeito

O sujeito sem cara
Que se veste de palhaço
Mostra-se puro e doce
Antes de fazer o seu estrago

Parei sob uma marquise
Dei um trago na angústia
Lembrei das madrugadas
Em que me apaixonei por aquela figura

E quis ser a menina
Quis ser segurada
Dei vazão a essa sina
Que me deixa, agora, amargurada

Não quero mais as bases
Onde se fortaleceu esse monstro louco
Viver sem sobriedade
Deixando meu peito sempre oco

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