terça-feira, 22 de maio de 2012

Luíza.

Você conhece o vento triste
Desses dias de sol imperador
Que obriga à todos esse sorriso
Que o seu rosto não quer dar

Você faz surgir em você
Mil estradas de pensamento
E sem o poder da ignorância
Convive no louco tormento

Ah, você coloca seu tênis
Todos os dias sem pensar
Nos vestidos meio velhos
Faz-se em pé num novo dia

Não quer muito da vida não
Nem do convívio com o externo
Quer paciência e compreensão
Canetas bic e papel higiênico

Nunca ambicionou plenitude
Maior que completar origamis
Fazendo corações de papel
Com os panfletos de vende-se ouro

Mas quando volta pra casa
Olha todos os olhos tristes
Sem esperar que nenhum retorne
Volta sozinha e descabida

Chega em casa apelando pra si mesma
E evita ir dormir, ficar sem falar, evita sorrir
E dentro de você quer evitar o conflito
De enxergar todos esses caras falando

Muitas de você não cabem numa música
Muitas de você não cabem no espelho
E o medo aumenta o sofrimento
E o desespero entra de novo em cena

Tomara que durma de uma vez
Que você durma, quietinha
Fugindo dos seus monstros
Que só enxerga sozinha

Quem nunca os viu não poderia dizer
Acusariam-na de um drama, de um enlouquecer
Mas eles estão ocupados demais com suas gravatas
E nunca teriam tempo para ver o que você vê

Você vai continuar evitando o espelho
E vai continuar ficando velha sem ter nem vinte
E vai disfarçar sua tristeza com batom vermelho
E vai ir beber sozinha no final de semana seguinte

Calma que o dia ainda nem começou
E a tendência a partir de agora é só piorar
Esse ano você não vai aprender a tocar bateria
E sem qualidades musicais vai de novo se frustrar

Continue então evitando espelho
Derrube as coisas no chão para desviar
Não olhe os monstros nos olhos
Eles tem mais medo de você que você deles

Mas você sabe que é você é mil
E que sozinha está em um milhão de si
E que sozinha permanecerá em um milhão de outros
E que a chuva talvez pare de obrigar você a sorrir

E no final nem é tão importante assim
Tudo vai terminar num beijo desconhecido
No final o importante se perde
Quem vai ser você no final da noite?

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