Eu não gosto. Deixo de gostar mais do que aprendo a faze-lo com as pessoas, as coisas, as formas, e tudo. Estou cada vez mais à espreita do meu surto existencial, devido a minha inconsequente maneira de ser e de agir segundo meus sentimentos momentâneos, que não abrem brechas para a minha liberdade de espírito.
De tanto querer me desapegar, acabei fazendo de mim a vítima do jogo que eu mesma inventei de conquistar e reconquistar as pessoas próximas, descobrindo só depois que o valor do que se sente não pode-se ser medido em palavras ou em ações. Nunca quis ser presa à alguém e me prendi à todos sem perceber o ato.
Eu tenho em mim essa maneira abstrata de entendimento, que não consegue acompanhar as linhas da minha fala, e então exprimem seus sentidos através das minhas mãos, do que escrevo e consigo descrever. Eu sou a minha grande incógnita, portanto todos à minha volta são um emaranhado sublime de falta de sentido, que constroem em mim essa angústia encantadora pelo majestoso espetáculo de ser.
Não gosto de pensar em individualidade e nem em padronização. Não me permito limites, e mesmo assim tento faze-lo por teima pessoal. Desisti de tentar compreender meus próprios pensamentos, e resolvi coloca-los em papel, afim de organizar minha mente e tentar por entre os anos construir uma linha sólida que explique a maneira que meus pensamentos funcionam, e o porque eles são tão desconexos, se nem tenho tanta carga etária a carregar.
Sou um paradoxo e me contradigo com a mesma frequência que respiro. Costumo manter uma distância significativa dos meus atos para minhas palavras e das palavras para a minha mente.
Alimento a paixão pela humanidade e pelos seus grandes nomes, e pela sua história hostil, ao mesmo tempo que me enojo dos homens e de ser parte viva do meio humano. Crio em mim esse desgosto por ser parte integrante da maior das doenças da terra, que é tão destruidora quanto criadora. Que quer entender o que não se pode, e então cria espetáculos indescritíveis com suas conclusões mal acabadas. Que ao mesmo tempo que tenta compreender e desenvolver a todo instante parte da ferramenta da razão, destrói todo equilíbrio de um sistema perfeito regrado por instinto e natureza.
Aonde querem chegar os homens?! O mais vulnerável dos animais, que para suprir sua vulnerabilidade aprendeu a pensar, e agir de acordo com a razão, não mais com os instintos de sobrevivência. Passou da razão à falta de sentido, pois não há razão que desvende tudo, e não há cérebro humano capaz de configurar a total compreensão do tudo. O mundo continua seguindo seu rumo infinito, e a humanidade se torna cada vez mais parte insolúvel do quebra cabeças magnífico que é a Terra.
Sou parte de tudo, e me sinto nada. Qual é a importância? Dentro de tudo, sou só mais uma peça confusa da humanidade que se põe em confusão a todo instante, devido sua superioridade perante os outros animais. Superioridade de que?
Eu não sei. Grande ilusão dos apaixonados a breve história que resume a vida e a condição humana. Não me simplifico, não simplifico a existência, apenas edifico nela a constante dúvida poética das minhas angústias mais intimas sobre quem sou e quem somos todos nós, procurando e procurando a resposta até os confins da minha carne.
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