Estou frustrada.
A frustração é gigantesca, do tamanho de um véu infinito que cobre todas as vertentes da beleza

do ser. Frustração dolorosa, pungente, fatídica. Sinto como se meu coração estivesse preso e prestes a explodir, devido a pressão exercida pelos vorazes dedos de vazio.
Os dedos que seguram e quase sufocam meu coração em batida arrítmicas não podem ser visto. Ninguém os vê, todos os sentem, mas de maneiras diferentes, e por vezes quase antagônicas.
As pessoas que sabem, essas transformam. As pessoas que usam da ignorância diante a dor, frustram-se.
Frustração não tem motivo certo, nem porquê preciso, mas tem dor, e agonia. Bebe água, e não gosta. Bebe vida, e não quer. Bebe ser, e não é. A agonia da frustração cessa, ela para e acalma no ventre do encantamento. Encantamento é finito, e então a frustração volta. É um ciclo vicioso, é negativo.
Frustração não é doença, mas tem remédio. Uso do meu enquanto posso, enquanto meu modo de remediar consegue usufruir do poder de anular a força da minha agonia frustrada. Então eu luto contra o vazio que prende minha alma, que prende minha vontade, que prende todo meu encantamento, luto contra os dedos acorrentados à minha percepção e, de maneira quase arcaica, coloco para fora.
Eu escrevo. Letra a letra, palavra a palavra, frase a frase, minha alma se faz viva através da escrita. Limpa a alma, lava o medo, lava a frustração. Das pontas dos dedos nasce a luz, e a escrita se transmuta-se para mais do que o que é apenas. Escrita é benção, é preciosíssimo. A escrita, as palavras, tornam-se os trilhos que levam a alma a outro patamar do ser.
Meu modo é escrevendo, meu modo é juntando pequenos símbolos que expressam tudo o que não me transpassa as cordas vocais e nem as vertentes do corpo. Escrever é o que me faz ser.
As mãos não são como a alma, e nem chegam perto, mas são parte, são um pedaço componente fundamental. E mesmo que elas não acompanhem, e não saibam exatamente aquilo que o ser diz, elas correm, velozes, ininterruptas, beirando a exaustão para buscar a essência de sua integração íntima com a alma.
Escrever remedia frustração, escrever é como a dança de quem o faz, é como arte de quem a sente, é como música de quem a compõe. Escrita é arte e é razão, escrita é a bagunça dos fragmentos da mente encontrando-se com a alma. A mente não acompanha, e não acha as palavras, mas ela continua correndo, continua integrando-se e tornando-se uma com a alma. E a mão.
Escrever é mais do que escrever, é sentir, é ouvir, é amor. Escrever é o que me faz viva e o que me afasta do que eu temo. E o que me aproxima também. Não escrevo porque querem, não escrevo porque gostam, escrevo porque sou.
A mente diz, as mãos fazem, a alma é.
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