quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Morte.

Busquei os rumos corretos para achar um bom título para minha próxima prosa, mas nenhum teria se encaixado tão bem quanto a nua e crua palavra morte. Esse texto foi escrito num momento de inquietação da minha alma, e portanto, até poucos segundos não tinha título definido. Há pouco menos de um mês, encarei a morte de um ângulo que nunca tivera encarado antes, quando o melhor amigo do meu primo morreu tão jovem de uma forma absurdamente inquietante. Minha mente ficou um tanto quanto indignada com os rumos trágicos que a vida pode tomar e então discorri toda minha intriga pessoal no texto que segue:

O fim da vida é um tema um tanto quanto solidário com os grandes autores e
poetas, e também para os singelos que amarelam suas grandes obras dentro da terceira gaveta do balcão da sala. O que existe de tão inspirador num fato tão trágico é uma incógnita tão complexa quanto a própria vivência.
A vida. A morte. Dois opostos. Limitam-se um pela existência do outro e trabalham em perfeita harmonia. A morte, mais travessa e mais sombria, corrompe o show da vida num golpe de mestre, a aprisiona com chave de ouro para que todos possam assistir seu show se lembrando daquilo que a vida fora da maneira mais bela possível.
Você tão humano, limita suas fraquezas à duas oras na academia, e sua força à dois maços de cigarro. Você dedica sua vida ao celibato, ou aos deuses espalhados pelo mundo. Você namora, cria seus filhos, faz amigos, viaja o mundo, tenta entender, tenta explicar, tenta compreender o porquê das coisas e o porquê do seu salário tão baixo e então você morre. Ora, que devaneio do destino ser tão trágico no seu desfecho, que castigo mais cruel nossas forças divinas impuseram sobre nossa sorte. Que falta de sorte.
A morte é interpretada, prejulgada, exposta, indiciada, mas a pobre jamais fora compreendida, pois a vida nasceu antes e foi a morte que apareceu por ali para tomar seu lugar.
Mas e o amor? A esperança? E todo o abstrato cheio de significado que pinta o quadro de quem tem vida? Para onde vão? Quem fica? O que sobra? E agora? Agora acabou, dona vida. É a hora que você fecha a cortina, pega o seu chapéu e vai fazer seu espetáculo pra ninguém. Toda morte sabe a hora que deve entrar, toda vida dá espaço para que ela venha entrar, mesmo que o show da morte ninguém queira ver.
Faz parte do show da vida de cada um a morte daquele por quem o amor nasce, cresce, floresce. Faz parte da vida a dor de quem vai e a lágrima que fica. Fazem parte os beijos, as músicas de domingo, os abraços no meio do filme, o por do sol na beira do mar, as brigas injustificadas, os sorrisos abertos, a saudade do cheio e o vazio da falta. Faz parte da vida seguir fluindo quando a morte de quem se ama teima em chegar. Faz parte de tudo aquilo que é vivo, deixar de ser.



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Críticas são sempre bem vindas. :D