Estou passando por um período de auto conhecimento, que tem me afetado diretamente em toda prática da minha vivência. Tenho vivido como se já estivesse para morrer, e morrendo aos poucos com a minha falta de vida.
É um processo longo e doloroso esse, de conhecimento do seu próprio ser, você sente tantas interferências externas que acaba se esquecendo que isso é a realidade e não apenas mais um sonho fugaz da sua mente quase insana. É tudo tão abstrato, e tão impalpável que chega a doer a falta de solidez.
Me sinto antagônica em minha forma, vendo provir de minhas veias uma fraqueza sórdida, e ao seu lado, uma força voraz e lenta, muito lenta.
Eu consigo me ver no espelho da alma e acompanhar todas as minhas mutações, e entender todas as minhas vertentes, vendo-me a musa da minha própria vivência e um papel em branco disposto a ser escrito e renovado dia após dia. Contraditoriamente, vejo-me suja, conturbada, manipulada; meus feitos parecem vazios, minhas vontades me parecem infundadas, minha beleza de espírito parece corrompida toda vez que tento abrir minha boca.
Não entendo, e me disponho a pensar, chegando a conclusões extremadas sobre quem eu sou, e desmentindo-as pelas minhas próprias ações, chegando ao cúmulo da despersonalização do eu, e me enxergando de cima, pelo panorama de quem saiu e apenas observa, de quem está mas não está. Eu não estou me sentindo, mas ainda estou viva. Overdose de pensamento, overdose do pensar; mente que glorifica o homem e que o embreaga com sua forma furtiva de agir, de manipular o seu próprio dono; mente contraditória, alma relapsa, combatentes de uma luta sem fim em busca da essência do tudo; culpadas da minha insanidade mas também minha panacéia.
Busco de maneira ininterrupta os adjetivos que me compõe, para transcrever minha essência, e mostrar-me forte, mostrar-me digna, apresentar o meu eu para que todos o contemplem em sua forma natural, livre de julgamentos e acusações. Quero conhecer o tudo que há em mim, e é exatamente por esse caminho que me encontro sendo nada.
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