sábado, 21 de julho de 2012

Velha senhora.

Nem velha eu fico mais
Só se esse tempo louco
Começasse a andar pra trás
Já bati os setenta e nove
Ou um pouquinho mais


Essa velhaca desorientada
Sente um peso meio triste
Nessa multifacetada jornada
Que nem começou direito
Aos dezessete tá toda acabada

Meio deprimida, quieta e sem hora
Não sabe mais usar as palavras
Sem fé, sem cara, sem nada, senhora
Cansada, quebrada, OLHA A BOCA, fodida
Só restam agora umas dores no pé
Estranha essa velhota descabida

Continuo com a fé no café
Da água que ferve na caneca
Do preto pó que sabe quem é
Fé no isqueiro também guardo
O fogo que surge do bolso
É o amigo do fim fugaz do cigarro

A velhaca é suicida desencorajada
Tão empacada, não guarda mais nada
Queria ver tudo, se conhecer toda
Mas é mais fácil manter a mente calada
Agora a batalha já foi travada
E a velha só quer, de uma vez
Se entregar para o rei, e ser condenada

A velhaca tá na loucura
De não ter vinte, mas ter rugas
Na mente, no espírito, na cuca
A velha só anda na marcha ré
Quer dar na vida, um pé na bunda
Quer da vida, é dar no pé


2 comentários:

Críticas são sempre bem vindas. :D