domingo, 15 de julho de 2012

Insônia.

Ninguém saberia dizer
Se mais fácil é tentar
Ou mais difícil é morrer
Ninguém saberia dizer

As faces se envolvem
Na frieza de um instante
Mascaradas, comovem
Um ardil desprezo constante

O impulso, o desejo
Matam e escorrem o sangue
Pela boca crua após o beijo
Insipido e nu dos dois amantes

Não te queria em outros tempos
Não se encontra no teu cabelo
O relento modesto que desejava
Fino e claro, seus fios são dela

Da minha alma quem haverá
Quem, então, haverá de ser
O remédio pro riso morto
Quem irá irrigar minha amargura
Quem?

A ternura delas, suave e doce
Naqueles traços nítidos, arianos
São meu sufoco, meu açoite
São o não pregar dos meus olhos
Durante a calada e fria noite

São quentes vocês
Maníacos incuráveis
Me joguei pela janela
Vezes e vezes incontáveis

Meu corpo está perdido
Não tem traço, não tem modo
Meu corpo está estarrecido
Nesse espírito que ambiciona,
Em toda sua vileza, uma nua morte

Não verão, não entenderão
Buscarão n'outras a tranquilidade
Na delicadeza dessas moças
Que emanam a sanidade

Diagnosticada pelo médico
À meia noite numa cama qualquer
Pluralidade mórbida e terminal
Nas veias corrompidas dessa mulher

Injetaram-me o pulso
Inventaram meu respirar
Mas o coração, num impulso
Não deixa-se medicar

As begônias murcharam
As tulipas se foram
Restaram-se as cinzas
E essa falta de sono


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