quinta-feira, 12 de julho de 2012

Divino pecado.

Diabo é o outro nome do prazer
Pecado é o outro nome do amor
A cama, a bebida e as frutas
Me esperam nuas sem cobrar

Desejo os pequenos e os grandes generais
Sem esperar deles o zelo constante
Deles não peço respostas banais
Nada além de uma noite contente

Meu contentamento é fácil
Simples e sem pudor meu riso é
Não preciso de uma benção
Não preciso de um príncipe
Me agradam mais esses lobos sem dono
Que me levam sedentos pra floresta, sozinha

Me deite com os impiedosos hereges
Faça de cada canto dessa casa uma fogueira
Me queime viva, me deixe em chamas
Que hoje ninguém será condenado
Que hoje ninguém tem fé, ninguém tem farda
Hoje é dia de não ter nome, de não ser soldado

Pequei nos gozos, nos horrores
Pequei no céu e no inferno
Pequei em terra, pequei em mente
Meu corpo agora é só da serpente

Num profano amor sem culpa
Vou deitando pelos cantos da sala, nua
Sem esperar um sórdido depois
Amando o agora de nós dóis

Sem quisera, sem pudera, sem futuro
Hoje é dia do presente e do pecado
É dia de gozar das peripécias do impuro
É dia de entrelaçar as pernas e os braços
É dia de botar divindade no antigo rosto
Tão prazeroso e sutil do pobre diabo

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