Com a ponta do pé senti a água
Límpida e morna, pronta para mim
Escalei a pedra sussurrando um poema
Dos amores que guardei até aqui
Sentei na beira da pedra, transtornada
Dos amores que cantei na subida
Guardava oceanos de mágoas
Covarde, pus-me rumo à descida
Sua água me sorria, me cantava
Eu, tão acabada, de longe a evitava
Sua água então me olhou nos olhos
Falou da cor dos meus lábios
Encarei-a intensamente, de perto
Nunca havia visto águas tão belas
E tanta beleza parecia-me incerto
No entanto,
Incendiava-me para estar dentro delas
Sorri para teu rio por um minuto ou mais
Quis esconder as cicatrizes dos rios rasos
Aos quais me joguei tempos atrás
Mas suas águas não me julgavam
Decidi que de outro mergulho, eu era capaz
Fiz minhas delongas, dialoguei pelo olhar
Contei ao teu rio meus desenganos
Molhei meus braços, meus cabelos
E, novamente, numa tentativa amedrontada
Resolvi que ao teu rio era tempo de me entregar
Escalei a pedra até o alto, vi sua imensidão
Esqueci dos passados, dos desatinos de solidão
A suavidade da tua correnteza me fez pura
À minha vontade de ti, finalmente dei vazão
E numa calmaria total de espírito
Sobre a pedra fiz-me nua
Saltei sem esperar demais do seu rio
E a partir dali soube que era tua
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Críticas são sempre bem vindas. :D