domingo, 14 de outubro de 2012

Absoluto.

De plenitude mal delineada
Sentia-se vazia a pobre menina
Desde criança sua sina foi dada
Em busca da felicidade absoluta
Que sem meios termos se anuncia

A menina, desesperada, morria
A cada metade de amor que encontrava
Em meias palavras que lhes eram dadas
Pensava, em meio ao mundo, estar perdida
Seu tudo prostrava-se ao quase
E então ao nada a menina sucumbia

De cor de rosa seu futuro brilhava
Sempre fora uma princesa, seus pais diziam
"Vai encontrar o rapaz certo e bondoso
Que transformará tuas lástimas em bela poesia"

Incessante, buscava o seu tal moço
De barba feita, com roupa fina
O grande salvador do seu sufoco
O glorioso fim de sua sina

E toda tarde voltava a menina só
Para o seu amargurado canto de solidão
Na cozinha escolhia seus doces
E na sala ligava a televisão

"Queria eu esses amores, esses senhores
Gentis e belos que tanto vejo em outros braços"
Dizia a menina amargurando-se em dores
Sem desatinar seu embaraço

E prosseguiu a menina em busca do absoluto
Do incondicional continuava ela escrava
Sem dar meios para que nas metades
Encontrasse um cadinho de felicidade

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