domingo, 14 de outubro de 2012

Ponteiros.

O relógio tem mentido
Mancomunou-se 
Com a falta de sentido

Os minutos, que são?
De que são feitas as horas?
Os pedaços fatiados de vazios
As fatias espedaçadas de solidão

E conspira contra o mundo
Com sua mentira insana
Marca nascimentos, mortes
Tira malandros da cama

Sorri muito do satisfeito
Pro casal de namorados
Diz que o próximo beijo
Agora não vai ser dado

A cama aguarda-os
Aguarda-os o mundo
Mas os ponteiros falaciosos
Mantêm os amantes frios e mudos

Já me é hora de ir
De partir está na hora
De comprar meu cigarro
Beber minha cerveja
E esperar o tom da aurora

Num dia novo o relógio canta
E num sufoco o vagabundo se levanta
Vai contar as horas até escurecer
Voltar pra casa sem saber porquê




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