sábado, 26 de março de 2011

Discutindo religião.

Maria acreditava que Jesus era seu pai, pois ela tinha o nome de sua santa mãe.
Raj sustentava que não comia vaca pois o valor da mimosa era maior que o de sua mãe.
Glauciane persistia na idéia que Jesus era seu pai, mas não acreditava na santidade de Maria sua mãe.
Amir, por outro lado, acreditava que Alá o salvaria de tudo já que nunca tivera visto o rosto, coberto pela burca, de sua mãe.
Chico exaltava ferozmente o fato de comunicar-se com sua falecida mãe.
Kauã estava sempre disposto à defender que a lua era sua mãe.
Dona preta era conhecida por todos por ser de santo, mãe.
De tanto confrontarem-se para tomar a decisão sobre qual das crenças era realmente a correta, e levando seus deuses em primeiro lugar até o fim da briga, todos acabaram mantando uns aos outros, junto com seus respectivos cônjuges.
João, filho de Maria, acabou crescendo sem mãe, e nas ruas aprendeu a se virar. Quando preso foi perguntado se nunca tivera antes sido apresentado à palavra divina. Ele calou-se e cometeu suicídio duas semanas depois.
A filha de Raj acabou sendo mandada pelos avós para um colégio de sua casta na América, onde poderia aprender a se portar segundo a tradição, já que não tinha mais pais. Sabendo de seu casamento arranjado aos 13 anos, ela conseguiu fugir do internato antes que fossem cumpridos os planos de seus avós. Conseguiu um trabalho, juntou dinheiro, e antes dos 30 anos se tornou uma bem sucedida empresária do ramo de fast food bovino.
Sara, filha de Glauciane, logo cedo se revoltou contra o resto da família e foi embora para se casar com um católico, com quem teve dois filhos e depois divorciou-se. Acabou casando-se novamente, agora com um rastafari.
Samira, filha de Amir, conseguiu ir embora do oriente médio, e se tornou dançarina de funk no Brasil. Acabou achando na prostituição uma maneira mais fácil de ganhar dinheiro. Foi descoberta por um agente de filmes eróticos e hoje faz sucesso fazendo filme pornô, onde é muito apreciada por sua beleza esótica.
O filho de Chico não acreditava muito nessas coisas, resolveu abandonar os tios, e perturbado, começou a se drogar. Em pouco tempo passou a ter alucinações frequentes. A família sofria, e o mandou para um manicômio precário, sem saber que esquisofrenia tinha tratamento.
O filho de Kauã começou a passar dias e dias longe da tribo e começou a ter contato frequente com o homem branco. Passou à trabalhar de guarda noturno para juntar dinheiro pra fazer o curso que queria. Ele detestava o brilho seco da lua. Fez um curso de informática, estudou, completou dois cursos superiores, um mestrado no exterior, e um doutorado, e hoje diz que os códigos binários são a sua família.
Fátima, filha de Dona Preta, estava cansada daquilo alí, e nem sabia preparar um acarejé. Resolveu sair de casa e tentar ir ilegalmente para os Estados Unidos, onde foi descoberta por um olheiro, e logo conseguiu sua legalidade para trabalhar como modelo. Fez fama internacional com sua beleza excepcional. Em entrevista, semana passada, ela alegou ser ateísta.

2 comentários:

  1. E o Filho do Chico era esquizofrênico...
    Mancada. Isso e discutir religião.
    Tudo bem que a palavra vem do Latim, "religio", e que quer dizer religar com Deus mas também não é preciso ir ao extremo de apressar a morte...

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  2. Era bem esse o foco. Não é necessário discutir religião até que se acabe o amor com o próximo. Não é necessário morrer para sustentar uma idéia religiosa. É legal sim ter uma fé, uma religião, algo que te segure, que te faça seguir, quem tem fé vive mais e melhor do que quem não tem. Porém, é preciso medir, e não tornar a religião o motivo para a discórdia entre os povos, como tem sido há tantos anos. Não apenas a religião, como qualquer outro meio, tem que ser usado para unir os seres humanos na busca da felicidade, e não para promover guerras e idéias mal argumentadas de uma cultura estar por cima da outra, de uma religião estar acima da outra. Somos todos diferentes, logo, somos todos iguais. É necessário respeitar a subjetividade, é necessário respeitar a crença, é necessário respeitar o outro acima de qualquer coisa.

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Críticas são sempre bem vindas. :D