terça-feira, 29 de março de 2011

Alegria Plena.

Existiam então essas duas meninas.
O contato entre as duas era nulo, mas elas lidavam com isso da melhor forma, pois nem se conheciam.
Elas não tinham de verdade nenhum desejo em comum. Talvez fossem opostos. Talvez não estivessem dispostas.
Eis que havia no mundo a quase vulcânica existência da mais velha. A mais velha talvez fosse um misto de todas as cores vivas, e de todos os tons pasteis, de todas as estampas, de todos os saltos altos e sapatos vintage. A mais velha era meio de lua, meio como quem não sabe o que quer, mas ainda sim está sabendo. A mais velha carregava consigo os mais variados traumas, e também uma hiperatividade excêntrica, que por vezes dava lugar à uma profundidade que poucos tiveram a chance de notar. A mais velha causava impacto e alvoroço em todos que a conheciam. A mais velha por vezes intimidava com sua maneira pouco convencional de encarar as situações, e por muitas vezes cativou sem ao menos notar. A mais velha carregava consigo as inseguranças de uma adolescente e o revolucionário brilho e sensualidade de uma mulher feita. A mais velha transparecia todos os sentimentos mais humanos, e também todas as necessidades mais carnais. A mais velha tinha um mistério indecifrável, que se ofuscava em meio suas crises existenciais. A mais velha tirava notas baixas, e gostava do pop, do brilho, da moda, de ser quem era com liberdade. A mais velha amava as artes e colocava para fora com todas suas forças o seu amor. A mais velha gostava de roupas, de sapatos, de dançar a noite inteira, e de ter um homem para chamar de seu, e que de preferência, cheirasse a vinho.
Existia então a quase erudita mais nova. A mais nova era também a mais introspectiva. A mais nova chegava a ter um que de mistério, e de intimidação pra quem não a conhecesse a fundo. A mais nova gostava de cinema e de biologia, gostava de seu mundo particular, e de seu incrível e quase imutável grupo de amigos. A mais nova tinha uma doce brancura, covinhas nas bochechas e um longo cabelo ondulado, que também nunca mudava. A mais nova tinha medo de mudança e bom gosto musical. A mais nova tirava notas altas, e todos sempre a perguntavam o significado das palavras esquecidas em momentos de falta de léxico. A mais nova talvez fosse a encarnação da paz e da serenidade. A mais nova não gostava muito de demonstrar pro mundo seus sofrimentos, principalmente de âmbito amoroso. Não era de falar muito. Se falava, falava bonito. Era amante secreta de todas as artes na timidez de sua existência. A mais nova era incrível.
Ambas eram praticamente dois mundos, de campo gravitacional semelhante. Ambas tinham sua própria profundidade, sua originalidade. Ambas eram complemento uma da outra.
As duas eram de tamanha essência, que talvez não caberia a mim descreve-las. Talvez o mundo um dia as descreva com a importância que tiveram.
Ambas, apesar de suas tão humanas fraquezas, conseguiam saciar a fome de alegria de quem as rodeava. Ambas eram fonte de felicidade. Ambas eram fonte de amor. Ambas vinham do Latim.

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