sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Desencorpada.

Meu corpo
Nessa amarga sintonia
Cresce pela vazão
É disforme, e se expande
Expande-se com o medo
O medo da opressão
Tem medo de ser reprimido
Tem medo de calar

Esse meu corpo incerto
Que dança
No escuro
No vazio
Na força que tem o nada

Ele molda-se pelas metades
E recria-se
Num impulso
Num surto
E desmorona novamente

Meu corpo sente é falta
Sente é falta de alegria
Sente-se é um perdido
Mal aventurado
Desconectado do resto
Desconectado de si
Não se reconhece
Não amadurece
Vira pro espelho
Fica de joelhos
E tenta ser feliz

Mas o coitado
Tem problema
Problema
PROBLEMA
Problema de frustração
Problema de dor
Dói as articulações
Dói o coração
Bate descompassado
Fora do corpo
Fora do lugar
Bate no lugar da mente
Fala mentiras
Trai muita gente
Inventa novos compassos
Para o que era de costume
Reinventa-se um pedaço
De podridão e azedume

Minhas falas
As do meu corpo
São inverossímeis
Não expressam
Nem pela metade
Aquilo que eu apelo

Abuso é das mãos
As mãos são minhas aliadas
Calam a falta
Calam a saudade
Deixam-me alinhada
Alinham o pensamento
Constroem felizes
Aquilo que faria de mim
Uma coitada
Amargurada
Sem o dom que expressa
Sem o dom da palavra

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