No descartável
No descartável que encontro
Encontro o cartesiano
Cartesiano desconfiado
Desconfiado de existência
Com medo da existência
Que segue o medo da desistência
Do sentido vivo
Que não se apega
Vive cheio de vazio
Pelo medo da dor
Que faz desapegar
Sem nem ter apegado
Que não sente
E tem infimidade
Que não quer ser afetado
Que não experimenta
Não vive a experiência
Não existencia o existente
Por medo de não existir mais
Quer o rápido
O efêmero
O fugaz
Para adiar a angústia
Dum futuro incapaz
Não, não sente
Nem sequer por um segundo
Mas é claro
Claro que mente
Mente vil para si
Negando a experiência
Dando lugar único à razão
Razão cheia de liberdade
Liberdade idealizada
Pelos povos passados
Que sonhavam alto
Com a fraternidade
Que idealizavam
Com a igualdade
E acima de tudo brincavam
Com a liberdade
Liberdade sem limites
Que faz da sanidade
Um refúgio contraído
Ou perde-se no nada
Na expansão sem abrigo
Foge louco da perca
Foge louco da dor
Foge louco da raiva
Foge louco da insanidade
Foge louco do temor
Foge de si
Tenta não encontrar-se
Foge do outro
Para de si distanciar-se
Para dos erros vedar-se
Para das falhas anular-se
Para que o jovem lhe seja eterno
Pulando as fases
Ocultando as pequenas mortes
Fingindo que a realidade
Consiste nesse vazio
Mesmo que a si mesmo
Ele já não mais suporte
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Críticas são sempre bem vindas. :D