Não era eu quem me olhava
Estranha era aquela retratada
Incoerente, de face dissimulada
Ideais tantos dançavam arrítmicos
Nos olhos inexistentes daquela
O mundo para levar nos braços
Braços quais?
Nenhuma pessoa em casa
No peito, destroços
De um incêndio crônico
No papel, lágrimas
Costas açoitadas
Respiração descompasada
Tudo forjado
No mais calado desenho
Das letras mal acabadas
O espelho, vagaroso, sussurrava
Mentiras espirais até o infinito
Contornando cada lampejo
De inconsciência, de asfixia
Um tapete então se lançava
Pro espelho de face desfigurada
Dando entrada para um palco
Onde eu não seria mais achada
Os olhos enganosos
O cabelo fino de um homem
Corpos esparramados
Em incessantes trocas de essência
Todos ali me eram
Eu os era por inteira
Irregulares e mascarados
Dissimulados e viciosos
O teatro não se fechará
O espelho mentirá novamente
E o vulto permanecerá incongruente
Mitificado por sua linearidade comum
Extraordinário pelo seu clichê tão aberto
E por tudo poder identificar
Cairá o vulto na solidão
De si não contornado
Da loucura, da loucura
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Críticas são sempre bem vindas. :D