segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Mania corrosiva.

De excesso de linguagem, ele já não cabia dentro de si. A arte da demagogia que o infesta de humanidade, o fizera também vítima de si. Era culpado de toda desgraça que açoitava seu próprio mundo, porque de tanta palavra e de tanto sentido destorcido ele se afogou em meio às letras e perdeu-se num deserto pequeno em extensão e incomensurável em essência.
Eles estavam do lado de fora, dizendo o tempo todo daquilo que eram feitos, justificando o fim certeiro com símbolos fonéticos, juravam que falavam de espiritualidade, para ele já não havia mais sentido algum naquela imensidão de nada justificando a ausência de coerência da vida.
Não, ele não podia mais pensar em palavra. Elas o sufocavam, deixavam-no imerso em um oceano de verdades duvidosas.
Que haveria de ser a loucura, senão amontoados sem fim de palavras desconexas. Que haveria de ser a moral, senão palavras que modulam aquilo que há de mais instintivo e abstrato na natureza do homem... ele estava farto disso, e mais além.
A realidade condiz apenas com a brutalidade dos instintos, e então, ele tentou enxergar o mundo de maneira selvagem, mas não o pode, pois as palavras acorrentavam-no. As palavras medidas eram malditas, pouco atraentes. A overdose de sentido fez mais sentido que o universo em sua imensidão inexata, que tenta ser compreendida pela exatidão da falta de criatividade humana.
Ele estava ainda mais cansado do fardo das palavras belas. O que o atraia era o poder do desmedido. Ele estava farto, farto de tudo, da necessidade insana de porta ser porta e não sofá. Da loucura que o sol tinha em chamar-se sol, e não esparadrapo. Ele quis despir toda a linguagem de sentido, e despir-se das correntes do seu próprio nome.
Finalmente, então, ele soube que a quietude e toda a agonia da angústia profunda que açoita a humanidade não tem outra explicação, senão a incessante mania de querer dar nome para todo pequeno detalhe. A mania de linguagem condena a existência humana.

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