domingo, 30 de janeiro de 2011

Arte.

Sua alma é aquela arte indescritível, impossível de ser dita, descrita, devorada; sua alma é límpida e profunda; é tão densa de ser que eu não consigo atingir, nem com minha própria densidade. Eu não sei te atingir, não sei te decifrar, e me apaixono pela sua dúvida em que você se compõe. Não posso te alcançar.
Eu gostaria de ter, ter sua alma, ter seu corpo, ter seu eu, ter o nós, mas você não é alguém que se adquira, você é além da incógnita da própria alma, você é abstrato e calmo, como a necessidade. Você é verídico, e também uma ilusão.
Não te seguro, não te penso, te sinto, te vejo, te cheiro. Você é alimento de alma, alma que precisa de arte, alma que tenha capacidade de te deixar livre. Não da minha. Minha alma não te engole, nem mesmo te prova; minha alma possessa não se permite segurar o que não pode ser preso, por isso prefere se afastar do cálice do seu ser, tão cheio de pecado, tão cheio de vontade, tão intenso e incompreensível.
Suas cores estão soltas dentro da sua alma, suas cores não precisam de pincel; elas são a própria vida! Elas desenham formas e pintam desejos que enchem meu corpo de paixão, ódio. Suas cores envolvem-se em mim como o manto que cobre o corpo descoberto e me acalmam, me enchem de amor. Mas suas cores vão. Instáveis, variáveis, vibrantes e indefinidas; as cores do seu ser me encantam e me seduzem, me permitem voar, e me fazem cair no chão. Suas cores são minhas; motivam-me, excitam-me, me permitem sem dar permissão.Quero ser papel que te segura, te prende, te faz meu, mas é incogitável. Não tenho estrutura de papel que possa te prender, e suas cores me fogem, somem. Suas cores voltam para me atormentar os pensamentos e me encher do desejo, formidável, desestruturado e incomensurável de te ter. Fazem dois riscos no meu amontoado fraco de celulose, e partem, deixando-me insana do querer. Quero continuidade, quero inundar-me em todas as suas cores, em toda a extensão do meu eu, meu papel tão fraco, e tão possesso, meu eu tão necessitado de um sublime instante com as chamas da sua intensidade.
Você é fugaz, cruel. Deixa-me mórbida aos seus pés, enche de enfermidade e de delírio minha alma que te degusta fora dos sentidos. Você é inevitável, e completo. É cheio de prazer, sem ao menos tocar. É um pedaço de Deus, é um pedaço de mim, é um pedaço de tudo que me apaixona, e de tudo que me faz morrer.
A você eu dedico o amor. A você eu dedico meu prazer. Aos pés da arte da sua alma, tão cheia e tão envolvente, estão minhas mãos sórdidas de vontade.
Estou inflamada por não poder te tocar.

2 comentários:

  1. é existente porem inalcansavel...
    é tudo que imaginamos e queremos... pois ainda nao provamos, se for provado talvez tudo isso se acabe como a sede ao tomarmos pela primeira vez um copo de agua...
    acredito q a vontade e o desejo nos dao mais satisfaçao que o proprio prazer... gostei =)

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  2. Obrigada Albino, é um prazer ter você por aqui :)

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Críticas são sempre bem vindas. :D