Beirava a insanidade a mente daquele homem. Ele lutava e reprimia seus anseios de obscuridade com a mesma força em que eles tomavam-lhe a paz. Há duas noites seu sono inquietava-se de maneira hostil. Não conseguira pregar os olhos, fora tomado pela vileza da insônia e de seus próprios inquietantes pensamentos. Tudo lhe era tão cinza que nem conseguia mais distinguir o que havia passado, o que passava e aquilo que ainda estava por vir. O homem estava relutante com seus conceitos, com suas ideias, com sua moral. Ele ocultava a todo custo aquilo que vinha à noite tomar-lhe o sono, porém suas forças eram pequenas comparadas ao tamanho do monstro que se fizera diante de si mesmo.
Ele sentia-se só, inquieto e só. Precisava de um par, como precisava de um par. Não exigia nada da vida, senão um par, para que compartilhasse com o mesmo tanto os temores quanto os prazeres. Não lhe importava a cor dos olhos do par. Tudo que ele queria era um par para compartilhar, usufruir, crescer, evoluir. Mas encontrava-se só, embriagado pela sobriedade de seus pensamentos, tomado pela fúria e a aspereza daquilo que ele mesmo procurava. Ele precisava integrar-se com si, mas precisava também de alguém para dividir.
Tomado por um suntuoso sentimento de fúria contra si próprio, ele deixou-se chorar. Dançou com suas lágrimas que desenrolavam-se graciosamente por sua face, ele não podia aguentar, mas aguentava com o que sobrara de suas forças. A sua vida estava correndo num rumo além de suas expectativas, sua vontade era de perder-se em meio a si, ou em meio à outro alguém. Tinha vontade de tomar para si as dores do mundo, mas não era capaz de aliviar nem mesmo sua própria dor. Ansiava com todas suas forças por aquilo que tornara-se inatingível. Nunca estivera tão vulnerável, nunca estivera tão instável, tão volátil. Nunca sentira-se tão vazio em meio à tantos acontecimentos. Sentia-se inebriado por sua própria falta de essência, sentia-se entregue àquilo que julgava mais pejorativo. Sentia-se só.
Imerso nesse desconforto, partiu para um universo paralelo, único e seu. Onde confortavelmente repousava sob um manto repleto de si, daquilo que lhe fazia completo ao seu modo, de seus pensamentos secretos, de seus anseios ocultos. Permaneceu ali por certo tempo. Afastou-se da insônia e adormeceu sem esperar que o dia viesse de novo à nascer.
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